16 de julho de 2009

Um Mês

...

Minha Rota


Há trinta dias atrás subi em minha moto para realizar uma viagem de quarenta mil quilômetros percorrendo toda América do Sul ao longo de um ano e meio.
Não sei espanhol e nunca saí do país. Tenho uma moto usada, uma barraca e muita disposição. Não tenho dinheiro para todo trajeto, nem para todo tempo, terei que trabalhar ao longo do caminho. Quero conhecer muito, por isso tanto tempo de viagem.
Tenho um roteiro geral e grosseiro apenas para me orientar quanto ao tempo. Os caminhos do dia a dia escolho intuitivamente em cada trevo, diante das direções de placas ou da beleza das pequenas estradinhas escondidas.
Tenho uma causa: “Mostrar que o mundo está melhorando”, através das pessoas que conheço ao longo do percurso, procuro entender suas realidades, saber são felizes, saber se acreditam num mundo melhor, saber se realizam seus sonhos. Ainda estou construindo meus ideais para que essa causa ganhe ainda mais força.
Conto com uma incrível fé dos meus amigos, do incentivo dos que conheço no caminho e dos que viram espectadores.


Estou na cidade de Belém no Pará.
Recém chegado da Ilha de Marajó.

Uma paisagem de encantar os olhos.
Embarco em seguida para Santarém.
...
Uma viagem de quatro dias de barco.
Tudo é muito rico em cultura.

9 de julho de 2009

4000 km


São infinitos pensamentos que surgem enquanto as faixas de aslfalto passam. Pensamentos sobre tudo e todos. Uma incrível reviravolta constante entre lembraças e expectativas futuras.

Milhões de "link's" que se formam com paisagens que passam, pessoas que conheço, situações que passo.
Vivo uma sequência inacreditável de De ja vus.
Quando olho para trás, num passado recente muitas vezes de segundos, sinto que este exato momento ja virou "aquele momento" e está no passado.

Recordo esses quase trinta dias de viagem como toda uma existencia... Sem conseguir definir tempo de começo nem tempo de duração.





A cada dia passado vejo-me fazendo uma perguntinha clichê.
"O que aprendi hoje que me torna melhor do que fui ontem?"
Incrivelmente venho encontrando boas respostas. Dia a dia, me esforço em semear e em colher ao mesmo tempo, afinal passo por uma faculdade intensiva o tempo todo e do mesmo jeito encontro pessoas que ouvem algumas poucas palavras e enxergam nelas uma esperaça de futuro.




Confesso que tem sido difícil tomar nota de tudo que passo.
Reescrever um aprendizado, uma lição, é mais delicado do que parece.
Grande mérito tem aqueles que colocam em palavras o que aprendem de forma que os que leiam sintam suas mesmas emoções e absorvam seu aprendizado de maneira igual.
Não tenho intenções de fazer isso aqui nem agora, mas se a prática leva à perfeição, que esse seja meu caderno de exercícios de casa.



Tentarei portanto compartilhar coisas simples que observei e quem sabe ao longo dessa viagem, quando conseguir olhar com mais maturidade todos ensinamento que estou recebendo, eu possa tentar traduzir as grandes lições de forma que eu compreenda junto com todos que acompanham.




Aprendi que em Piripiri, no Piauí, um cachorro quente completo é composto por: Pão, salsicha, carne moída, batata palha, cenoura e beterraba ralada e queijo ralado.
Que cachorro quente em Capanema no Pará é feito com pão redondo e vai alface e tomate igual hambúrguer, alem é claro do toque com pepino.


Em alguns lugares do Maranhão, açaí chama-se Jussara e nesse mesmo estado na cidade de Governador Nunes Freire um PF ou prato feito é composto por 5 porções grandes de comida. Acima do PF tem a opção de “Refeição”.




As distâncias podem ser medidas em léguas (6km), rios, horas ou estado das estradas. “Você anda até a estrada ficar boa e dobra ali”
A farinha de mandioca tem mil sabores, cores e aspectos físicos.

O maior medo de um negro chamado Wiliam, descendente de escravos que vive em um quilombo próximo a Alcântara, é a forma como suas filhas de um e dois anos ficam quietas e atentas a tudo que acontece na TV e disse que não vai ter uma “dessas” tão cedo. Esse mesmo cidadão sonha um dia aprender a ler para saber o que tem escrito nas carteiras de cigarro, nas caixas de fósforos e nos rótulos das garrafas de cachaça.




Existem búfalos no Maranhão e lugares no Ceará que chegam até doze graus de temperatura.

Moto pesada pode até atravessar rio, mas não anda muito bem na areia.

Mendingo, segundo um representante da classe, quer dizer “Homem infinitamente grande”. Suas palavras apresentaram tamanha força e sabedoria que dispensou qualquer pesquisa gramatical.

Uma senhora de São Luis, cidadã com traços característicos, negou minha solicitação para um retrato, mesmo depois de muitos sorrisos e tentativas de convencimento.

Existem guias turísticos que amam o que fazem e importam-se principalmente em ajudar o turista de toda forma. Outros porem ajudam de toda forma, mas cada forma tem seu preço e os preços são realmente altos.

Os vigias são verdadeiros canais de informações e sempre uma boa escolha para um bate papo sobre todo e qualquer assunto.





Existem tantas placas ”Perigo” quanto faixas pintadas no asfalto.

Em São Luis, em uma grande oficina recebo a seguinte resposta após perguntar sobre solda: “Nós até temos a máquina, mas você vai ter que tentar convencer o soldador a soldar”.
O guará, um pássaro de penas muito vermelhas, tem essa cor somente por que se alimenta de caranguejos.

Em Barreirinhas-MA almocei em um restaurante que não tinha Coca-Cola, nem Guaraná Antártica, nem Fanta e nem Sprite, apenas Guaraná Jesus. Também um espetinho de carne é servido no prato com uma porção de arroz e salada.


Várias pessoas pediram para eu esperar para copiarem a frase da bandeira presente de Rapha e Lelis.



As melhores perguntas e respostas:
“A estrada está boa?”
- Essa moto ai passa com certeza.
- Teve a enchente e eu nunca mais fui lá, mas ta boa.
- Tem um par de légua de buraco, se conseguir passar fica boa toda.

“Moço, a cidade está perto?”
- Só seguir direto...
- Falta uma, duas, três, na quarta quebrada você droba e já vai ta do lado.
- BR222??? Fica lá na pqp... Longe p caramba... Pá onde tu vai memo??

Ao telefone: “Alô, Sr. Como faço para chegar ao Albergue?”
- Chega no centro histórico e pergunta.
“Da onde ta falando?”
- Do Albergue, mais alguma coisa?




“Sr, sabe onde tem internet?”
- Ow rapaz, vendi a última agorinha.

Acreditem... Estou aprendendo mais do que essas coisas, mas até então é o que consigo compartilhar.

Essa viagem tem ainda milhares de quilômetros de novidades e de conheçimento. Ainda estamos por desbravar nossa própria cultura, mas breve estaremos mergulhando num verdadeiro choque cultural dos "nostros hermanos".

2 de julho de 2009

"O chão é o limite"

Cedo ou tarde a hora de testar os limites ia chegar.
Eu sabia desde o começo que a viagem ia ser dura e que em alguns caminhos ia sofrer mais.
Bom, no dia 30.06 foi o primeiro dia adaptação física e de teste dos limites do controle emocional.
Um dia de extremos e de aprendizado.
A estrada que peguei de Tutóia rumo aos Lençois Maranhenses não existe no mapa. E olhe que carrego comigo três mapas de empresas diferentes.
Quase todas as informações eram precárias, e pior, falsas.
Talvez na intenção de ajudar, os ribeirinhos diziam... "Pode seguir que ta perto..."
A noção das distâncias também era completamente errada. "Mais uns 10km"... Quando faltavam 60km.
A absurda quantidade de rios e areia fofa me levaram a exaustão.
A moto foi ao chão muitas vezes.



Essa estrada de muita areia é cruel para uma moto com a quantidade de peso que eu levo e para pneus mistos (asfalto e terra).
Para percorrer 100 km demorei cerca de 8 horas.
Só cheguei ao destino as oito da noite, completamente exausto e com muita dor em todo corpo.

Alguns aprendizados:
A água acabou após 4 horas de sol.
Após algum cansaço não consigo levantar a moto com a carga em cima.
Para andar na areia preciso de peso na parte dianteira.
Não pegar estradas desconhecidas nem confiar nas informações dos ribeirinhos.
Estar atento aos horários do sol.
Meu sentido de orientação esta embaraçado, ja que o sol não nasce mais no mar. Nem eu estou indo para o Norte. Sigo para Noroeste e isso me confunde ja que sempre me orientei pelo sol.


No resumo da coisa fiquei satisfeito comigo. A dor das quedas, o desespero em meio a um deserto pela frente e sem água, o verdadeiro esgotamento físico nos fazem rever valores e ao mesmo tempo fortalecem. Sei que posso continuar por que consigo superar bons obstáculos.


Agora claro que depois de todo esforço vem a recompensa.





Lençois Maranhenses - MA

27 de junho de 2009

“Tudo é passageiro, menos motorista e cobrador”



Não é exclusividade de quem larga tudo para viajar passar por situações que exijam paciência testando nossos nervos e nos fazendo alcançar picos de emoção, muitas vezes emoções negativas. Essa situação é tão genérica que podemos nos recordar desde um dia que acordamos querendo escovar o dente e falta água, como dias em que o exaustivo trabalho nos cansou e uma brincadeira de alguém que não está tão cansado assim nos tira do sério.

Uma manhã de chuva forte e frio dentro da barraca, a constante lama lançada dos caminhões, ou mesmo os fortes picos de saudade que vem e vão conforme eu permito podem enquadrar-se na situação acima.

Ao longo da viagem vou entendendo de maneira intensa o quanto todas essas coisas são temporárias. Que a angústia da péssima visibilidade é ate que pare a chuva. Que a lama está ali até haver sol e que em cinco minutos somem as nuvens e revelam um sol lindo que nos convida a uma cachoeira perdida.

Acontece da mesma forma com tudo que é bom, com tudo que é engraçado e com todas as fantásticas pessoas que estou conhecendo e convivendo por períodos tão curtos de tempo.



De certa maneira é absolutamente passageiro tudo isso.

São lugares e momentos únicos que vão estar em minhas lembranças e logo em seguida transformados pelas leis da física, pelo constante movimento da natureza. O que faz de todo segundo um segundo único e importante.

Sendo tudo temporal perde a lógica a raiva das situações, impaciência e a agressividade. Talvez seja fácil para eu colocar isso em prática, pois sozinho não posso gritar comigo mesmo, ou xingar alguém quando entro na barraca. Nem mesmo reclamar da chuva e do frio. Acabo rindo e lembrando que se comprei um saco de dormir térmico foi prevendo chuva. Que se tivesse companhia não perderia segundos de boa conversa para reclamar da lama ou da moto que as vezes não pega.

Eventualmente porem, podemos quebrar a barreira da temporalidade e eternizar ações ou palavras. Se estivermos em equilíbrio e dispostos a ajudar aqueles que nos cercam podemos fazer e falar coisas que vão mesmo modificar a vida das pessoas. Atenção a direção, pois isso serve para o bem e para o mal.

Atenção também quando as pessoas estão prontas a nos ajudar e fechamos os olhos para suas ações e palavras. Ao longo das faixas de asfalto consigo enxergar quanta gente pronta para fazer o bem existe por ai.

São poucas as oportunidades de eternizar momentos, estou tentando aproveitá-las.


25 de junho de 2009

Descansar e Curiosidades

Engraçado o que acontece comigo quando estou cansado, tenho a certeza que meus direitos aumentam proporcionalmente ao meu desgaste físico e mental.Quando cansado julgo precisar de mais atenção, afinal, por que demoram tanto a responder... estou exausto!Acho que posso gastar mais, afinal estou tão cansado, mereço isso.Não preciso parar para anotar nada... Eu anoto quando estiver descansado.Será que NINGUÉM está vendo que estou cansado caramba?! O fato é que o mundo não para, nem da mais atenção, nem se preocupa com isso, afinal, todos nós estamos cansados. Cansados de trabalhar. Cansados das mesmas coisas.Cansado de não ter feito nada para se melhor do que era ontem. Precisamos respirar e descansar. E então ou nos movemos rumo a algo melhor ou estacionamos no tempo. E o que está parado... está morto.

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CURIOSIDADES

O Camelbak:
Eis uma ferramenta maravilhosamente útil. Hoje não consigo andar mais de cem quilômetros sem tomar um gole de água. Ah sem precisar parar a moto. Essa mochila cantil facilita muito nossa vida, mas devemos ler os manuais antes de operar.


Eu por algum engano devo ter jogado fora o que veio na minha e aprendi a usar na pratica. Mas para os desavisados, uma dica:
Assim que você sai para uma aventura dessas, sua cabeça está a mil e alguns fatores ficam deficientes como os cálculos físicos.

Pouco mais de 50 km de estrada e deu a bendita sede, mas olhe só, tenho um camelbak! Faço uma ultrapassagem, dou uma acelerada e logo tento tomar água pela ponta da mangueira. Bom, ai vem a primeira parte da lição, descubra como funciona a bendita válvula de abertura. Com o capacete atrapalhando eu usei minha boca e mordi, puxei, empurrei e nada. Claro que no manual estaria escrito: “Para ter acesso a válvula retire a tampa de proteção”. Quase depois de ter engolido a bendita tampa, que muitas mordidas depois soltou-se na minha boca, aprendi que o acionamento da válvula acontece com um simples puxão. Parei é claro ate descobrir isso, mas indignado com a falta de prática para usar algo tão simples, resolvi fazê-lo enquanto pilotava, afinal essa era a utilidade dessa mochila de água. Devagarzinho realizei a proeza de tomar água andando de moto. Que coisa boa, a válvula é tão simples. Relaxado tomei água umas três vezes. Mais a frente e mais relaxado, tão relaxado que me encontrava encostado no baú pressionando o super cantil com as costas, decidi pelo quarto gole de água que lavou literalmente a viseira do capacete. Imaginem um extintor acionado em sua boca enquanto você pilota em alta velocidade...


Minha mãe sabe o quanto eu gosto dos manuais. Facilitam nossa vida.


Os olhos dos motociclistas (um dia provarei essa teoria) devem desenvolver ao longo dos quilômetros rodados uma película de proteção. Hoje me considero um perito no quesitoinseto no olho”.
Com habilidosos movimentos das pálpebras e retina consigo isolalos no canto. Claro que um olho de cada vez, afinal preciso estar com pelo menos meia vista na estrada.
Quando os bichinho permanecem vivos é uma verdadeira briga entre piscadas e os movimentos do infeliz. E nem tente usar os dedos, ao esmaga-los e suas micro vísceras espalharem-se, pode feder, arder, coçar e outros mil efeitos colaterais. Portanto é melhor que esses artrópodes fiquem vivos até estarem fora dos meus olhos.

E não poderia deixar de dizer que quando nossos amigos não estão me incomodando nos olhos é por que estou degustando...

Eu já conhecia o sabor nem sempre doce, nem sempre salgado de algumas espécies de insetos. Mas ultimamente esses lanchinhos de viagem têm me surpreendido. São gostos muito diferentes dos quais eu estava habituado. E olhe que tenho know-hall para opinar nessa área gastronômica. Principalmente as borboletas. Aquelas amarelinhas então... Alem do gosto azedo ainda resolvem bater no meu para brisas (é isso mesmo, minha moto tem para brisas) e se espatifarem deixando seu cheiro podre na minha frente. Pior é quando pega na "quina" que metade fica no parabrisa e metade no meu rosto. Ai passo os dedos para limpar e espalho aquela meleca das lindas borboletinhas amarelas na minha cara.

Para evitar maiores incidências já dizia meu pai: "Não viaje no horário dos bichos". Perto do pôr do sol os bichos saem de suas tocas para se alimentar. Isso inclui todos os bichos, não só insetos.

Bom pessoal, de barriga cheia encerro aqui.

Obrigado a todos pelos apoios e pela paciência de acompanhar.

23 de junho de 2009

Ricos pobres, pobres ricos.

Foram sete dias de viagem. Tantas cidades, tantas pessoas, tanta coisa nova. Um novo jeito de vida ao qual vou me adaptando a cada dia. Decisões como escolher a hora de parar ou se sigo para próxima cidade, de com quem poder conversar ou o que falar. Tantos trevos que levam a lugares distintos e deixando a intuição decidir o caminho.
Uma completa instabilidade diária. Medos sim, novos, velhos, junto com tantas incertezas. Mas uma incrível certeza de que o caminho é esse.
Hoje me deparo com o começo de um dos mais difíceis desafios. O controle das emoções. É o momento que tenho que colocar em prática as lições sobre desprendimento das pessoas e dos sentimentos. O momento de respirar e ficar com a mente leve e livre dos apegos, pois do contrario, vou sofrer.
Isso exige absoluto policiamento da mente para não deixar levar-se pela nostalgia, nem por lembranças, nem por falta, saudade.
Antes eu fazia isso direcionando esses pensamentos nas expectativas do futuro, mas com toda essa instabilidade, não consigo mentalizar o futuro. Tudo é tão incerto, desconhecido.
Concentro-me então no agora, no que tenho de fazer para que esse exato momento seja relevante em minha vida, ou na vida das pessoas.
Talvez essa seja mesmo necessário toda essa coragem que falavam para eu conseguir fazer isso que estou fazendo. Reflito horas do dia. Vejo mil oportunidades passarem e agarro outras mil. Tento extrair do mundo lições e quando passou segundos sem isso já começo a me sentir inútil.

Um mix de sentimentos desdobram-se dentro de mim.
Um dos mais estranhos é a sensação de responsabilidade sobre cada decisão, sobre cada atitude, sobre cada pessoa. Uma responsabilidade que sempre trouxe comigo, mas que a cada dia de viagem aflora. A responsabilidade de tentar mudar esse mundo.
Onde começo, o que faço afinal....
Parece loucura, mas é algo sólido em minha mente.
Vou modificando-me a todo instante.

Percebo que estou atingindo em um ritmo lento as pessoas. Talvez na mesma velocidade que me deixo atingir também, em intensidades bem distintas é claro.

Uma ferramenta chave está despertando brilho nos olhos dos que precisam de ajuda.
Quando conto que estou viajando para mudar esse mundo e mostrar um mundo melhor vejo nas pessoas que frequentemente julgaríamos “estudadas”, pitadas de inveja, provocações em relação a coragem aos recursos para realizar essa proeza.
Os humildes por sua vez, pessoas que passam o tempo todo por nós e frequentemente não enxergamos, enchem de brilho e esperança os olhos e acreditam profundamente que uma mudança é possível. Seria fé devido ao sofrimento? Seria por que precisam acreditar em algo ou alguém? Não sei as respostas, mas sinto-me fortificado quando me deparo com esses pobres de bens, ricos de espírito e cada vez mais essa viagem vai fazendo sentido.

Viva la Revolucion!

Sim, hoje passo por uma verdadeira revolução de valores e sentidos, emoções e fé.

18 de junho de 2009

Missão

Conforme percorro a estrada, vou dando-me conta da importante missão que tenho pela frete.
Os verdadeiros desafios estão longe das estradas, dos desertos, das chuvas ou do frio.
Preciso me concentrar na mensagem que tenho que passar e isso não só é delicado, mas perigoso.

A medida que me desprendo da timidez e procuro novas maneiras de abordar e conhecer pessoas, deparo-me com a necessidade de explicar o caminho, o que tornam as coisas mais perigosas.

Escorrego para lá e para cá antes de dar pistas do próximo ponto e ao mesmo tempo tento sugar ao máximo as informações das pessoas com quem converso.

Não é fácil dizer que “estou viajando por mundo melhor”, ou que busco sabedoria, ou que quero conhecer lugares e pessoas...
Da inveja da coragem ao medo tão crente que chega ser praguejado.



Nas reflexões em cima do asfalto recordo-me de ter comparado os diversos graus de desenvolvimento que a humanidade já alcançou. Nas engenharias, na medicina, na tecnologia da informação e em tantas outras áreas, nós humanos, chegamos tão longe.


Progredimos em tudo isso nesse exato momento.
É bem possível que uma nova vacina esteja sendo descoberta, que uma nova extraordinária obra esteja sendo construída ou que novos e avançados métodos de comunicação estejam ficando acessíveis.

E quanto a nosso progresso como Humanos?
Estamos ajudando o próximo, amando-os como a nós mesmos?
Estamos saciando a fome de alguém, não necessariamente com alimento, mas com palavras que consolam?
Estamos sensibilizados ou nos esforçando para tanta miséria que existe no mundo desaparecer tão rápido quanto progresso das outras áreas acontece?


Eu creio que nosso ritmo é lento. Que temos sim dificuldades e medos. Mas seguindo nossos corações e olhando para os seres a nossa volta como amigos e irmãos, podemos melhorar tudo e ajudar a todos.
Dessa viagem não vejo mais do que pura responsabilidade com o próximo e é uma missão que pretendo alcançar.